Como quebrar regras na decoração?

Atualizado: 3 de Mar de 2019

Harmonia, contrastes, destaques e função são conceitos essenciais para a concretização da boa arquitetura e do design de interiores. Entretanto, algumas formulações no campo do design e da decoração foram se instalando e se transformando em tradicionais regras que persistem em cada projeto e dificultam explorar irreverências por meio de formas e cores, principalmente.


Nas regras tradicionais da decoração, uma sala de jantar precisaria ter todas as cadeiras do mesmo modelo e da mesma cor, por exemplo. Assim como toda sala de estar é composta por dois sofás ou sofá com poltrona e mesa de centro, sem espaço para variações. No dormitório de casal, criou-se também a regra de que devem ter dois criados-mudos um de cada lado e do mesmo modelo, onde todos tem gaveta ou são minimalistas. Por fim, na cozinha sempre vemos armários aéreos e gabinetes para armazenar utensílios e alimentos, além de bancadas em pedras naturais ou sintéticas que complementam o espaço. De certa forma, esse tipo de composição realmente proporciona conforto, estética e praticidade, porém são regras que não precisam ser seguidas tão a risca, por que valorizar a nossa essência e nossa excentricidade devem ser a base de qualquer decoração.


Segue abaixo alguns exemplos onde tais regras foram quebradas e como é possível utilizar este conceito para a decoração de espaços residenciais ou até mesmo comerciais:


Para começar, que tal uma sala de jantar onde todas as cadeiras tem a mesma cor, mas estilos completamente diferentes?

Sala de jantar com cadeiras diferentes. Fonte: Casa Vogue

Ou para ser ainda mais ousado, um projeto que contemple estilos e tonalidades diferentes de cadeiras de madeira:


Cadeiras amadeiradas de estilos diferentes. Fonte: Casa Vogue

Para espaços mais reduzidos ou integrados com a sala de jantar - como os tradicionais Studios e apartamentos compactos de até 40m² -, a sala de estar pode ter novas composições que não sejam somente os sofás, mas conceitos que explorem futons, jogos de almofadas e um espaço mais despojado para os moradores e para possíveis visitas.



Composição entre futons e almofadas. Fonte: Revista Zap Imóveis


Substituição da tradicional sala de estar para uma área despojada com almofadas. Fonte: Doce Obra

Nos últimos anos, pesquisas e estudos no setor do design e da decoração trouxeram conceitos que também fugiram de convenções, em especial para a exposição de elementos que trazem afeto e memória para o lar, isto é, em objetos especiais que tragam lembranças afetivas para o morador. Dessa forma, a decoração passou a incluir estes elementos e a considerar também a valorização da imperfeição, deixando gradualmente o aspecto de casa impecável e passando a desenvolver os projetos com uma maior essência do morador.



Cozinha com ausência de armários e disposição em prateleiras. Fonte: Blog ArqDecor


Decoração afetiva. Fonte: Revista W3

A decoração afetiva é uma forte vertente a nos acompanhar nos próximos anos e indica a necessidade de transformarmos a casa em um verdadeiro lar, longe de perfeições, mas com vida! Alegre, colorida, com peças de afeto, memórias, lembranças, móveis antigos, e qualquer elemento que tenha uma história importante para o morador deve ter espaço reservado na decoração.



Design afetivo na decoração. Fonte: Westwing.

E nos ambientes mais íntimos não poderia faltar a quebra de tradicionais regras: no dormitório de casal, por exemplo, trabalhar com assimetrias no projeto é um grande diferencial. Não precisamos mais de cabeceiras de tecido, podemos colocar somente um biombo atrás simulando tal elemento, assim como não é preciso criado mudo idêntico dos dois lados: pode haver só em um lado, pode haver modelos diferentes para cada lado ou até mesmo um móvel diferente como uma cadeira, isso mesmo! Trata-se de ressignificar móveis dando uma finalidade completamente diferente a de costume. Confira alguns exemplos:



Cadeira utilizada como criado-mudo. Via História de Casa


Painel vazado utilizado como cabeceira. Fonte: Homify

Cimento queimado no dormitório unido à texturas amadeirados trazem bastante conforto.


Dormitório colorido e irreverente com criados assiméticos (incluindo uma cadeira) e cabeceira de pallets. Fonte: Minha Casa

E na hora de pensar em revestimentos, muitos ainda se questionam sobre quais tipos de composições criar ou a forma das paginações, visto a grande variedade de cerâmicas no mercado. Temos, resumidamente, a possibilidade de azulejos, ladrilhos hidráulicos, pastilhas em formatos diferenciados, cimentícios, porcelanatos que imitam diferenciadas superfícies como amadeirados, cimento queimado e pedras naturais, além de diversas opções com uma paleta vasta de cores. Tantas opções inspirem e criam projetos totalmente inéditos mesmo com o uso de um mesmo revestimento. A regra é que não há regras: pode preencher 2/3 da parede, 1/3 somente, mesclar tons de um mesmo revestimento, explorar tamanhos, paginar com formar diferentes como triângulos e hexágonos trazem grande autenticidade para o espaço e fogem da mesmice.



Revestimentos em relevo formando degradê. Fonte: Arquidicas

Combinação de tijoletas coloridas em uma paginação nada convencional. Projeto: Marília Zimmermann.

Em resumo, o conteúdo dessa matéria explora a quebra de tradicionais convenções no setor da Arquitetura e do Design, de modo que o público consumidor e até mesmo os profissionais da área possam encontrar soluções pouco exploradas e que constatem irreverências e inovações, transformando a casa em um espaço de sensações e experiências mais genuínas.

Para quem ficou com alguma dúvida ou deseja uma consultoria fora dos padrões, entre em contato!

11 visualizações

NATHALY DOMICIANO |superfícies e interiores

2020 | Todos os direitos reservados

São Paulo, Brasil - (+55) 11 93330 5664